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Posts Tagged ‘Falácia Genética’

Nos comentários do post “Mais uma refutação ao poderoso OTF…“, um dos discípulos do profeta apocaliptista travestido de ateu conservador Luciano Ayan  (ele jura que é operado, mas vai até a lua e volta espumando de ódio toda vez que alguém acerta uma pancada contundente em suas intimidades religiosas) fez uma “contribuição de altíssimo nível“, expondo a todos um suposto debate que um suposto John W. Loftus supostamente teria perdido. Desde então Luciano Ayan vem fazendo anúncios bombásticos de uma vindoura refutação humilhante ao OTF, como pode ser visto nos dois screenshots abaixo (coloquei as fontes nas legendas, mas é altamente provável que ele adultere seus posts ao ver sua alegria de pobre abortada e me acuse de te-lo fraudado):

 O motivo dessa hybris pode ser visto nesta arena virtual aqui. Thrasymachus, o desafiante, não faz nada além de reciclar objeções que alguns apologistas já haviam levantado anteriormente, e às quais o autêntico Loftus já havia respondido _ vejam os comentários deste post do blog do Thrasymachus. Observem também como o próprio Thrasymachus, no terceiro round do debate, em vez de comemorar a vitória suspeitosamente fácil, preferiu considerar altamente provável que o perfil que aceitara seu desafio na verdade pertencia a um fake, suspeita que ele já aventara no começo do segundo round ao solicitar que o outro debatedor lhe enviasse alguma confirmação de que era o autêntico Loftus.

O cristão enrustido, naturalmente predisposto a se agarrar à literalmente qualquer bobagem que alguém fale ou escreva em defesa de sua fé e numa atitude típica de pessoas iludidas, levou em consideração só o que lhe era favorável e ignorou o que era de fato relevante. Se fosse o cético full-blown que se jacta de ser a cada duas linhas de seus posts, teria se poupado mais esse constrangimento. V.V., obrigado por propiciar mais essa oportunidade de expor ao ridículo o macho-alfa dos conservopatas.

Quanto à objeção levantada pelo Thrasymachus contra o OTF, trata-se da famigerada e abusada falácia genética, que consiste em afirmar que uma crença é falsa em virtude do modo como foi adquirida. É a quinta das objeções respondidas abaixo. Além disso, observem que o OTF é um argumento indutivo, probabilístico, não um argumento dedutivo. Ele deixa em aberto a possibilidade de que alguma fé religiosa seja verdadeira apesar de adquirida por um processo não confiável de formação de crenças.

Quanto ao Luciano Ayan, este é o último post em que esse infeliz ou algum de seus textos é mencionado aqui no Rebeldia Metafísica. Continuar a faze-lo seria desmerecer o excelente trabalho de desconstrução da equipe do Blog do Mensalão (recomendo a leitura dos seguintes textos: O que é Controle de Frame, Sou ateu parte 1B: Jeremias e Marcelo Rizzo, Uma “breve” biografia de Luciano Ayan). Como meu presente pessoal de despedida, deixo a ele este link  e uma canção que decerto lhe serão úteis no estágio terminal em que se encontra:

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Um: Os crentes religiosos objetarão em uníssono que o OTF não mostra que sua religião particular é falsa simplesmente por ser um fato sociológico incontestável que acreditamos baseados em acidentes históricos e geográficos. William Lane Craig indaga, “Como a mera presença de visões de mundo incompatíveis com o Cristianismo mostra que alegações distintivamente cristãs não são verdadeiras? Logicamente, a existência de reivindicações de verdade múltiplas e incompatíveis implica apenas que todas elas não podem ser (objetivamente) verdadeiras;  mas seria obviamente falacioso inferir que nenhuma delas é (objetivamente) verdadeira.” Ele está certo sobre isso, assim como os muçulmanos e os mórmons que podem dizer a mesma coisa em relação a suas respectivas fés. Afinal, alguém pode estar certo por nenhuma outra razão além da sorte de nascer na época e no lugar certo.

Mas como você justifica racionalmente tal sorte? Foi por isto que desenvolvi o desafio do teste do infiel em primeiro lugar, para testar as fés religiosas contra tal sorte. Se o teste entre fés religiosas é baseado inteiramente na sorte, então quais são as chances, baseado apenas na sorte, que a seita específica do Cristianismo à qual alguém adere seja a correta?

Dois: Objeta-se que existem minorias ínfimas de pessoas que escolheram ser teístas cristãos que nasceram e cresceram em países muçulmanos e que as pessoas podem escapar de sua fé culturalmente adotada. Isto é verdade. Mas estas são as exceções. Os teístas cristãos respondem me pedindo para explicar as exceções. Estou pedindo que eles expliquem a regra. Por que crenças religiosas específicas predominam em áreas geográficas específicas? Por que isso ocorre?

Quando se trata destes convertidos, minha opinião é que a maioria deles não ponderou objetivamente as evidências quando fez seus compromissos religiosos iniciais. Eles mudaram sua maneira de pensar sobretudo devido à influência e à credibilidade do evangelizador e/ou da natureza fantástica e assombrosa do próprio relato religioso. Eles não dispunham de nenhum método inicial para realmente investigar a fé professada. Que evangelista falaria de maneira nua e crua sobre o lado negro da Bíblia e da Igreja enquanto prega as Boas Novas? Nenhum que eu conheça. Que evangelista apresenta um panorama dos inumeráveis problemas que os acadêmicos cristãos como vocês próprios da platéia enfrentam em encontros como este? Nenhum que eu conheça. Que evangelizador dá a um convertido em potencial uma cópia de um livro como o meu junto com uma cópia de um livro de apologética cristã e pede-lhe que leia os dois antes de tomar uma decisão? Mais uma vez, nenhum que eu conheça.

Três: Objeta-se que a mera discordância de pessoas racionais acerca de um tema não justifica o ceticismo acerca de uma afirmação específica. Ao contrário, penso que isso não somente pode justificar como de fato justifica o ceticismo. O grau de ceticismo justificado depende dos critérios que mencionei antes. Pessoas racionais não apostam contra a gravidade, por exemplo, porque há evidências para ela que foram aprendidas à parte do que lhes foi ensinado para acreditarem numa região geográfica distinta. Ela pode testa-la pessoalmente. Sustento que as crenças religiosas estão numa categoria diferente da dos resultados de experimentos científicos reprodutíveis, e que esta afirmação é tanto óbvia quanto incontroversa. De qualquer maneira, o ceticismo é melhor expresso num continuum. Algumas alegações de crença justificarão um ceticismo maior do que outras. Afirmo que crenças religiosas provavelmente justificam o mais elevado grau de ceticismo considerando-se os fatos sociológicos. Correndo o risco de ofender os religiosos aqui, as crenças religiosas, como crenças em elfos na Islândia, em trolls na Noruega e no poder das bruxas na África, devem ser submetidas ao mais elevado grau de ceticismo considerando-se tanto a natureza extraordinária destas afirmações e como algumas destas crenças são adotadas em primeiro lugar.

Quatro: Alguém pode objetar que meu argumento se auto-destrói. Elas indagarão: “Minhas condições culturais ‘determinam’ esmagadoramente minha pressuposição cética? Se for o caso, então, como Alvin Plantinga pergunta, seriam minhas crenças igualmente ‘produzidas por um processo de produção de crenças não-confiável’? Se não, então por que razão eu penso que posso transcender a cultura mas um teísta cristão não pode transcender sua cultura?” Em resposta, penso ser extremamente difícil transcender nossa cultura porque, como mencionei antes, elas nos dota com os próprios olhos com os quais vemos. Mas precisamente porque sabemos a partir de estudos psicológicos e antropológicos que isto é o que a cultura faz por e para nós, é possível transcender a cultura em que fomos criados.

[Exemplo] Sabemos que as pessoas não percebem sensorialmente a realidade como ela realmente é. O que vemos é filtrado por nossos olhos. O que ouvimos é filtrado por nossos ouvidos. Vemos e ouvimos apenas uma quantidade muito limitada dos dados do mundo. Mas se víssemos e ouvíssemos o espectro sônico e eletromagnético inteiro nós basicamente veríamos e ouviriamos ruído branco. Sabemos disso mesmo não sendo capazes de realmente ver ou ouvir o ruído branco por nós mesmos. Também sabemos que o chão sobre o qual caminhamos move-se como um enxame de abelhas no nível microscópico. Assim, é o conhecimento científico sobre o mundo que nos leva a sermos céticos sobre o que vemos e ouvimos.

O mesmo pode ser dito quando se trata de estudos psicológicos e antropológicos mostrando que deveríamos ser céticos em relação ao que somos levados a acreditar, apesar de sermos incapazes de realmente ver qualquer coisa acerca de nossas crenças sobre as quais deveríamos ser céticos. E o OTF é sem dúvidas um teste que podemos propor para examinar nossas crenças culturalmente adotadas.

A verdade é que meu argumento definitivamente não se autodestrói. Ele sugere que deveríamos duvidar do que acreditamos. Não é autodestrutivo dizer quais são as chances de que estejamos errados. Afinal, estamos falando sobre as probabilidades aqui. O filósofo agnóstico J.L. Schellenberg lida come este mesmo tipo de críticas nestes termos: “agora, esta objeção pode ser sólida se meus argumentos de fato forem aplicáveis a si próprios, e não é preciso muito para vermos que tal não é o caso.” Pois existe uma diferença colossal entre defender um sistema de crenças religiosas como o único e exclusivo sistema correto, e negar que um sistema de crenças religiosas seja justificado. Sua afirmação é que os adeptos de qualquer sistema de crenças religiosas dado “não foram bem-sucedidos em montar seu caso; ele nos compele a continuar a investigação… porque o ceticismo sempre é uma posição de último recurso em contextos de busca da verdade.”

Cinco: ao afirmar que fés religiosas são adotadas esmagadoramente por “acidentes de nascimento”, terei cometido a falácia genética, uma falácia informal de irrelevância? Esta falácia é cometida sempre que se argumenta que uma crença é falsa devido ao modo como se originou.

Eu não considero a falácia genética tão significativa quanto as pessoas pensam que é, especialmente em contextos religiosos. Se alguém acredita de maneira paranóica que a CIA o está espionando e descobrimos que a gênese (ou origem) de sua crença remonta ao consumo de uma droga alucinógena como o LSD, então possuímos evidências realmente boas para sermos céticos em relação a sua crença paranóica, apesar de não termos realmente demonstrado a falsidade de sua crença de qualquer outro modo, e apesar de ao procedermos assim alguém poder nos acusar de cometer a falácia genética. Portanto, de maneira similar, se podemos determinar que as origens das formas mais primitivas de Cristianismo foram criadas puramente por seres humanos antigos supersticiosos, possuímos boas bases para sermos céticos. Mas ainda mais importante para o caso, se todas as nossas crenças são completamente determinadas por nosso ambiente então esse é o caso independente do fato de que ao argumentar em defesa disso comete-se a falácia genética.

Todavia, não há nenhuma falácia genética aqui, a menos que ao explicar como os fiéis primeiro adotam sua fé eu em seguida concluísse que tal fé é falsa. Não estou afirmando que essas fés são falsas em virtude de como os crentes originalmente as adotam. Estou apenas defendendo que os crentes deveriam ser céticos a respeito de suas fés religiosas culturalmente adotadas em virtude de como eles primeiro vieram a adota-las.

Seis: Uma última objeção pergunta se isto tudo não seria circular. Teria eu meramente escolhido um sistema de crenças metafísicas diferentes baseado em fatores culturais diferentes? Eu nego que isto seja verdade, pois tenho fundamentos iniciais muito bons para começar com o ceticismo baseado em fatos sociológicos, antropológicos e psicológicos. Os procedimentos metodológicos são aqueles testes que utilizamos para investigar alguma coisa. Como procedemos ao investigar alguma coisa é uma questão separada que deve ser justificada em seus próprios termos, e eu tenho feito isto aqui. Uma pessoa não pode dizer que devo ser tão cético acerca do Teste Da Fé do Infiel quanto sou acerca das conclusões a que cheguei quando apliquei o teste, já que justifiquei o teste a partir dos fatos. Deve-se primeiro discutir o teste do infiel em seus próprios termos.

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