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Posts Tagged ‘Fidelismo’

por John W. Loftus

Adoro a maneira como o Dr. Jacko Gericke descreve a filosofia (sic) reformada de Alvin Plantinga como fundamentalismo sobre pernas de pau. A metáfora das pernas de pau retrata Plantinga colocando-se fora da mira do criticismo bíblico sem lidar realmente com as bases de sua fé.

William Lane Craig declarou inúmeras vezes que não é sua intenção debater a confiabilidade da Bíblia. Naturalmente não, por que ele não é capaz disso. Há não muito tempo atrás ele declinou um convite para debater contra Jacko Gericke sobre a existência do YHWH do Antigo Testamento. Sim, está certo. Ele disse que esta não era sua especialidade. Mas espere um momento. Ele anda por aí debatendo se Deus existe ou não, certo? O que quer dizer que ele acredita que YHWH existe. Então por que ele não pode defender a existência de seu Deus? Porque ele não é capaz de faze-lo. Isso exigiria que ele descesse de suas pernas de pau e chafurdasse na mira do criticismo bíblico que deixou sua fé em ruínas.

O que me traz à especialidade de Bill Craig, a Teologia Natural.

Nos meus tempos de estudante na década de 80, a Teologia Natural encontrava-se num estado desgraçadamente deplorável. Não que não houvessem pessoas trabalhando nessa área, porque haviam. Os católicos sempre empreenderam desde os tempos de Tomás de Aquino, e a série de Palestras Gifford baseadas no desejo de “promover e difundir o estudo da Teologia Natural no mais amplo sentido do termo” tem acontecido ininterruptamente desde os últimos anos da década de 1880. (N.T.: Carl Sagan já proferiu estas palestras, que podem ser conferidas em seu livro “Variedades da Experiência Científica“, título que homenageia o talvez mais célebre ciclo de palestras Gifford, o proferido por William James, Variedades da Experiência Religiosa. As palestras de James também foram fontes de preciosos insights que Dan Dennett explorou em seu livro Quebrando o Encanto – A Religião Como Fenômeno Natural.) É verdade que os protestantes e evangélicos, em sua maioria, não se preocupam muito com isso . O consenso parece ser que os cristãos poderiam não defender uma teologia baseada na razão e na ciência. A voz de Karl Barth como o maior teológo do século XX pode talvez ter sido a mais significativa e influente entre os protestantes ao afirmar que a teologia natural estava condenada desde o nascimento.

Mas uma movimento de revitalização ocorreu. Norman Geisler e seu pupilo William Lane Craig fizeram-se ouvir em alto e bom som através de obras como Apologética Cristã e The Blackwell Companion to Natural Theology e em outras obras como In Defense of Natural Theology: A Post-humean Assessment de James F. Sennett and Douglas Groothuis, além da ressurgência de proponentes do design inteligente como Michael Behe e William Dembski.

Mas não nos esqueçamos  da razão pela qual a Teologia Natural caiu em desgraça:  o massacre levado a cabo no século XIX pelo criticismo bíblico. As evidências do criticismo bíblico destruíram as razões para acreditar. Foi por isso que Barth conclamou sua geração de crentes a simplesmente pregar a Bíblia pois Deus se pronunciaria através dela. A Bíblia era uma uma testemunha da revelação de Deus, não a revelação propriamente dita. Isso foi um existencialismo derivado de Kierkegaard  em meio a argumentos racionais sustentando que a Bíblia continha mitos, lendas e falsificações compartilhadas por outras culturas similares da antiguidade.

Os fundamentalistas estavam de sobreaviso e contra-atacaram com várias réplicas ás críticas chamadas Fundamentals, mas estes argumentos não vingaram entre o crescente número de crentes religiosos que se tornaram barthianos. Outros, como Rudolf Bultmann, defenderam uma desmitologização do Novo Testamento a fim de revelar o kerygma, ou proclamação de evangelho, através da extirpação dos elementos do “imaginário mítico” do primeiro século com potencial para alienar os contemporâneos da fé cristã.

O que eu vejo como a recente ascensão da Teologia Natural é baseada numa completa ignorância dos estudos do criticismo bíblico. É como se estas pessoas jamais tivessem aberto um livro publicado pela Fortress Press, ou uma Bíblia Comentada Anchor, ou uma Bíblia Comentada Cambridge, ou as várias monografias publicadas pela Society of Biblical Literature. Com os achados arqueológicos das últimas décadas a situação é ainda pior do que o próprio Barth reconhecia em sua época. Agora sabemos que os povos antigos compartilharam concepções cosmológicas similares, como visto neste livro de Wayne Horowitz, que Ed Babinski utiliza como base de sua argumentação num capítulo de meu novo livro, “The Christian Delusion”.

Os teólogos naturais da atualidade continuam agindo como se soubessem o que estão defendendo e que há uma base histórica para o que estão defendendo. Uma situação que me lembra a do imperador nu. Eles agem como se possuíssem argumentos que lhes favorecem e pavoneiam-se por aí como se estivessem em trajes de gala quando na verdade estão nus. O criticismo bíblico destrói completamente os fundamentos históricos de sua fé. Eles estão nus e desprotegidos como pássaros tagarelas. Estão me ouvindo? Vocês estão nus. Cubram suas vergonhas e parem de se expor ao ridículo.

A teologia natural não irá durar muito. É o que prevejo. É uma moda passageira. E o evangelicalismo está de saída. Os evangélicos serão obrigados a descer de suas pernas de pau e ver de perto no que estão se atolando.

Há mais uma coisa ainda. Parece-me estranho que estes autores jamais falem sobre, em primeiro lugar, como eles vieram a acreditar. Victor Reppert não veio a acreditar por causa do Argumento da Razão, tampouco Bill Craig veio a acreditar por causa do Argumento Cosmológico Kalam. O que eles fazem é defender o que foram compelidos a acreditar em virtude de um compromisso inicial, feito geralmente na juventude, que determina sua abordagem destes argumentos. Agora eles se encontram defendendo uma concepção anselmiana de Deus alcançada através de um longo processo de falsificação teológica. Mas eles nunca consideraram seriamente o conhecimento produzido por Karl Barth.

Contudo, existem alguns evangélicos que reconhecem os resultados do criticismo bíblico, como Kenton Sparks, John Walton e Peter Enns. Sparks, por exemplo, subscreveu a Barth. Muitos mais ainda serão forçados a faze-lo. Então, a medida em que a história se desenrola, eles se tornarão liberais e vários deles se tornarão agnósticos. É um processo realmente lento mas tem ocorrido desde o Iluminismo e influenciado como os novos seminários e editoras, todas as décadas, tem de ser fundados por conservadores, a medida em que estes seminários e editoras tornam-se mais e mais esclarecidos e liberais.

Está é a razão pela qual eu concentro minhas críticas à fé cristã no criticismo bíblico. Eu tenciono solapar completamente a base inteira da teologia natural. Meu objetivo é derrubar estes teólogos naturais de suas pernas de pau para que vejam que a base de sua fé não está lá, e assim fazendo cientifica-los ao máximo possível que eles estão nus. Nus e desprotegidos como pássaros tagarelas. Me divirto muito com isso. Em minha opinião esta é a melhor maneira de desacreditar seus empreendimentos sofisticados na teologia natural. E isso não exige um mergulho de cabeça nesse tipo de literatura filosófica. Embora esse mergulho seja importante eu pessoalmente me envolva com esse tipo de literatura, penso que ela não é um anulador solapante (undercutting defeater, uma crença A que enfraquece as razões para uma crença B; por exemplo, a teoria da evolução seria um undercutting defeater para os argumentos teleológicos. A TE não os refuta, mas os enfraquece) para o que eles defendem. O verdadeiro anulador solapante é o Criticismo Bíblico.

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