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Já experimentou o Teste da Fé Do Infiel?

Já experimentou o Teste da Fé Do Infiel?

O Teste da Fé do Infiel de John W. Loftus é um dos argumentos antirreligiosos mais engenhosos e poderosos da história do livre-pensamento. De uma simplicidade que beira o óbvio, e baseando-se em características das crenças religiosas previamente exploradas por outros naturalistas, tem seu potencial de desafio incrementado por apelar ao senso de justiça, honestidade e reciprocidade que todo cristão sincero deveria se empenhar em cultivar. “Faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você”, é a formulação da Regra Áurea enunciada nos evangelhos. Aplicada no domínio epistemológico, poderíamos traduzi-la como “Questione as crenças alheias com o mesmo rigor com que você gostaria que as suas fossem questionadas”. É razoável presumir que o rigor com que pessoas religiosas gostariam que as suas próprias crenças fossem questionadas seja  o mesmo com que as questionam enquanto as professam. Como as alegações de evidências que sustentam essas crenças religiosas são invariavelmente fracas, qualquer que seja a religião,  segue-se que os adeptos de uma religião elevam no mínimo ligeiramente seu grau de ceticismo ao avaliar as evidências apresentadas por adeptos de religiões concorrentes à sua, ao mesmo tempo que impõem um ônus aos que a questionam maior do que eles próprios assumem entre si. Dificilmente a hipocrisia cristã terá se mostrado mais despudoradamente do que neste duplo padrão e nas esquivas apologéticas ao OTF.

Cristãos sabem intuitivamente que sua religião não está a altura do desafio. Prova disso é que em vez de aceita-lo, tentam a todo custo desacredita-lo. Alguns objetam que ele é demasiado radical, ou que ele compromete as concepções de moralidade ou o próprio ateísmo de seus proponentes. Estas e diversas outras são objeções deveras instigantes que eu discutiria com prazer, e eu esperava algo nessa linha dos que se propusessem a examina-lo. Outros, mais desesperados, brincam orwellianamente com o significado de ceticismo, afirmando ser os verdadeiros céticos, já que põem em dúvida os próprios argumentos céticos, e abrem tanto suas mentes que estas são capazes de comportar o miraculoso e o religioso que o ceticismo atrofiado filtra. Se duvida que isto seja sério, pergunte a Thomas Talbott, acadêmico cristão e autor de uma longa crítica ao OTF.

As objeções levantadas ao OTF pela pessoa que se esconde atrás do blogueiro Luciano Ayan, embora traiam um certo desespero, revelam muito mais seu despreparo para engajar-se em debates sérios e construtivos, bem como sua irrelevância intelectual. “Luciano Ayan”, que afirma ser um experiente e renomado auditor, ministrando cursos e palestras a profissionais do mundo corporativo, construiu sua reputação virtual adaptando indiscriminadamente supostas ferramentas de auditoria corporativa para a análise de discursos na esfera política. Desde seu primeiro blog, o Neoateísmo, Um delírio, vem elaborando uma longa cartilha cujas lições, ele afirma, imuniza seus leitores contra toda sorte de fraudes, embustes, manipulações e desonestidades intelectuais. Basta identificar as palavrinhas-chave nos discursos do adversário, buscar em seu banco de dados as técnicas mais apropriadas para lidar com os discursos em que estes termos ocorrem com mais frequencia e bingo! A investida é debelada, e a posição no espaço político é mantida ou recuperada.

Para a infelicidade do aspirante a formador de opinião, a realidade pode resistir a estas abordagens algorítimicas que ele propõe. Não me entendam mal quando critico o automatismo com que ele se joga nos debates. É verdade que com muita frequência os problemas e desafios com que nos deparamos são recorrentes, e geralmente, no mínimo por razões econômicas, é uma boa estratégia dispor de um arsenal previamente adquirido e calibrado para fazer frente a eles. É como nosso sistema imunológico funciona. É um dos inúmeros Bons Estratagemas endossados pela evolução por seleção natural. Mas é preciso saber distinguir os contextos em que uma resposta automática é apropriada daqueles que requerem uma boa dose de reflexão e criatividade. Esse discernimento nem o Ayan nem seus discípulos mais fiéis adquiriram (curiosamente, os que dele dispõem não se preocupam em tentar incuti-lo aos demais, sobre o que comentarei brevemente adiante).

As idéias e argumentos que venho divulgando ao público lusófono aqui neste espaço há quase um ano enquadram-se na categoria de discursos que resistem ao tratamento mecânico que o blogueiro tanto se empenhou em popularizar. Em geral, além de realizar uma triagem entre autores e publicações conceituados, antes de lançar-me ao trabalho de traduzir um artigo, pesquiso a existência de discussões sobre os pontos defendidos. Se o debate existir, e se o estado corrente do debate parecer ao menos favorável à tese principal do artigo, faço a tradução. Caso contrário, apenas registro em off as idéias que possam mostrar-se úteis em futuras discussões.

As objeções levantadas pelo Ayan não arranhariam sequer a primeira versão do argumento. Ele começa dizendo que

O fracasso do OTF reside no fato de que a tal “perspectiva externa” é tratada como um lugar de referência objetiva. Quer dizer, um estado mental no qual alguém ficaria totalmente neutro na questão religiosa, assumindo então o papel de um “julgador imparcial universal”.

Acho que fui bem-sucedido em esclarecer-lhe o equívoco com o seguinte comentário que deixei no post:

Por perspectiva externa, ele não quer dizer um ponto de vista isento de quaisquer preconcepções, muito pelo contrário. A perspectiva externa a uma fé específica é aquela de qualquer um que não partilha daquela fé; externo ao cristianismo, por exemplo, é não somente o ponto de vista dos céticos, ateus e agnósticos, como também o dos judeus, muçulmanos, hindus, budistas, e por aí vai. Coloque-se em qualquer um destes pontos de vista externos ao cristianismo, avalie o cristianismo com o mesmo grau de rigor que, de dentro do cristianismo, vc avalia estas outras fés (ou ausências de fé) e veja se o cristianismo sobrevive. (Ele não sobrevive. Se sobrevivessem não existiriam adeptos de outras religiões. E o mesmo vale para qualquer religião).

Só peço que desconsiderem a besteira colossal que escrevi entre parênteses. Em vez disso, talvez uma colocação melhor seja: “Ele não sobrevive. Se sobrevivesse, os cristãos aceitariam entusiasticamente o desafio, e as bíblias a livros de apologética poderiam exibir o selo ‘validado pelo OTF’.” Como não houve nenhuma tentativa subsequente de corrigir ou aprimorar a crítica à noção de perspectiva externa, imagino que ela tenha sido abandonada.

Para não dar o braço a torcer, Luciano Ayan em seguida lançou mão de uma de suas mais antigas e mal-compreendidas técnicas de refutação: o teste da paródia. O teste da paródia, cujo nome técnico é Método da Interpretação Natural, é uma ferramenta para testar a validade de argumentos na lógica de predicados que consiste em apresentar um contraexemplo da forma do argumento sob suspeita, ou seja uma instância da forma em que as premissas são verdadeiras e a conclusão evidentemente falsa. Contraexemplo este possivelmente instanciado em outro domínio do discurso. Deixem-me dar um exemplo para que fique claro do que estou falando. Considere o seguinte argumento:

“Todos os comunistas são favoráveis à medicina socializada e todos os socialistas são favoráveis à medicina socializada. Portanto, todos os comunistas são socialistas.”

Embora possua premissas e conclusão verdadeiras, o argumento não é lá muito convincente. Para mostrar que o argumento acima é inválido, considere o seguinte argumento que, embora possua a mesma forma do anterior, possui premissas verdadeiras e uma conclusão flagrantemente falsa (ou seja, é um contraexemplo para a forma do argumento anterior):

“Todos os homens possuem cérebros. Todas as mulheres possuem cérebros. Portanto, todas os homens são mulheres.”

Ao que tudo indica, Luciano Ayan pensa que apenas por possuir uma forma instanciável em diferentes domínios do discurso um argumento é inválido, quando o que ocorre é exatamente o contrário disso: uma forma argumentativa válida é universalmente válida, quer estejamos falando de números, idéias, sentimentos, pessoas, plantas, animais, alienígenas ou assombrações, crenças religiosas ou crenças políticas. Poderia ser que, acidentalmente, ele tivesse apresentado contraexemplos nos posts em que lançou mão desta técnica. Mas, desafortunadamente, não foi o que ocorreu. Vejam como ele tentou desacreditar o OTF:

Vamos lá a uma paródia do OTF. Chamarei de OTPF. Outsider Test of Political Faith.

1. Pessoas racionais em regiões geográficas distintas ao redor do globo, de maneira esmagadora, adotam e defendem uma vasta diversidade de fés da religião política em decorrência de sua doutrinação educacional e cultural. Esta é a tese da diversidade da religião política
2. Consequentemente, parece bastante provável que a adesão a uma fé da religião política não é meramente uma questão de julgamento racional independente mas na verdade causalmente dependente em larga escala de condições culturais. Esta é a tese da dependência da religião política.
3. Consequentemente, é altamente provável que qualquer fé da religião política adotada seja falsa.
4. De modo que a melhor maneira para se testar a fé da religião política que se adotou é assumindo a perspectiva de alguém que não partilha dela com o mesmo grau de ceticismo utilizado para avaliar outras fés da religião política. Em poucas palavras, isto resume o OTPF.

Na boa, chega a dar pena de alguém levar isso a sério. Vou agora reescrever o parágrafo de Dalila: “Coloque-se em qualquer um destes pontos de vista externos ao humanismo, avalie o humanismo com o mesmo grau de rigor que, de dentro do humanismo, vc avalia estas outras fés (ou ausências de fé) e veja se o humanismo sobrevive. (Ele não sobrevive. Se sobrevivessem não existiriam adeptos de outras religiões políticas. E o mesmo vale para qualquer religião política”. Esse argumento prova o que?  (risos)

Diante da absoluta inépcia do “Luciano Ayan”, alguém que se gaba de haver estudado e dominado a arte da erística, na compreensão e utilização de ferramentas lógicas elementares, confesso que não entendi as risadas. Você acha divertido compartilhar e recomendar a seus leitores sua própria ignorância, “Luciano Ayan”?  E este erro grotesco vem sendo cometido há no mínimo dois anos e meio, idade do post mais antigo a apresentar esta ‘técnica”, O Teste da Paródia Esmaga Feuerbach. O mais lamentável dessa história, contudo, é que entre seu público cativo há graduados em filosofia, como o Paulo Júnio, fundador do Teísmo.net, e o Francisco Razzo, estudioso de William James e Eric Voegelin, que poderiam tê-lo alertado há tempos do ridículo a que vem se expondo. Lembram-se do Carrier falando, há alguns posts atrás, de pessoas repetindo besteiras sistematicamente sem serem corrigidas por seus pares? Tamanho é o poder da ilusão com que o cristianismo enfeitiça seus adeptos. Para sua desgraça e maior descrédito diante de seu público, a tarefa de corrigi-lo, ao experiente, implacável, diplomado auditor, com inúmeras pós-graduações, especializações e cursos de aperfeiçoamento, coube a um de seus desafetos, um reles calouro numa graduação em Filosofia fazendo o primeiro curso de Lógica de sua vida.

Uma outra maneira de desafiar a solidez (não a validade) de um argumento lançando mão de uma espécie de paródia consiste em apresentar uma adaptação do argumento em disputa que leve à uma conclusão que contrarie ou contradiga a conclusão deste, já que dois argumentos com conclusões contrárias ou contraditórias não podem ser ambos sólidos. Exemplos dessa estratégia são o Argumento Transcendental Para a Inexistência de Deus, que desafia a solidez do Argumento Transcendental Para a Existência de Deus; e o Desafio do Deus Malévolo, que desafia a solidez das teodicéias mostrando que elas podem ser adaptadas para respaldar a existência de um ser supremamente maligno. Parece-me também que tal estratégia é adequada contra argumentos cujas premissas possuem um status epistêmico baixo ou questionável, o que não parece ser o caso do OTF. Então, a partir destes exemplos, um possível desafio ao OTF deveria mostrar, talvez com premissas adicionais, que aceitando-se as teses da diversidade e da dependência religiosa pode-se concluir que o método mais adequado para se avaliar a credibilidade da própria fé é com as lentes desta própria fé e com a mesma brandura de quando se a professa.

Luciano também apareceu com a acusação de que o OTF apresenta um raciocínio circular:

Vamos destruir de vez Loftus:

5. Alguém pode afirmar que adotou o mesmo grau de ceticismo utilizado para avaliar outras fés, para avaliar a sua religião.
6. Essa pessoa poderá dizer em seguida: “minha religião sobreviveu ao questionamento”.
7. O neo ateu dirá: “então você não colocou o grau de ceticismo suficiente para a sua fé”.

Quer dizer, a única forma de usar Loftus para vencer debates contra adversários é USAR O RACIOCÍNIO CIRCULAR. E como isso é uma falácia, automaticamente o neo ateu já perdeu o jogo.

Confesso que não me ficou nem um pouco claro onde é que ele enxerga a suposta circularidade (certamente porque ela não existe). Aparentemente, por circularidade o Ayan refere-se à (suposta) impossibilidade de se verificar empiricamente o grau de ceticismo que alguém empregou ao submeter sua fé ao OTF. Ao fim, só disporíamos da própria alegação do crente de que foi tão rigoroso com sua própria fé quanto o é com as fés alheias como um indicador (viciado, claro) do grau de ceticismo realmente empregado. Mas definitivamente tal não é o caso. Basta perguntar pelos critérios que alguém utiliza para estimar a probabilidade que uma dada proposição seja verdadeira ou falsa, e constatar a consistência na aplicação destes critérios. Darei dois exemplos mostrando que sim, é possível avaliar objetivamente o grau de ceticismo empregado por alguém que submeta sua fé ao OTF.

Imaginem um debate entre um ateu e um ateísta envolvendo a primeira premissa do argumento cosmológico kalam, Tudo o que começa a existir tem uma causa. O próprio William Lane Craig, ao defende-la, pede apenas que sondemos nossas intuições ordinárias, empiricamente construídas, sobre o modo como as coisas surgem, e, como não podemos intuir coisas surgindo incausadas, Craig então solicita que apliquemos esta intuição ao surgimento do próprio universo. Até aqui tudo bem. Ou seja, o critério utilizado por Craig para estimar o status epistêmico da primeira premissa do kalam é sua concordância com nossas intuições empiricamente construídas. Entretanto, ao defender a idéia da criação a partir do nada, uma noção inteiramente contraintuitiva e sem qualquer respaldo empírico, Craig se atrapalha todo, interpreta a terminologia da cosmologia do Big Bang segundo suas próprias preconcepções teológicas e abandona por completo o critério da familiaridade para estimar o status epistêmico da noção de criação a partir do nada. Ou seja, podemos ver nitidamente que Craig utiliza dois pesos e duas medidas para avaliar teses naturalistas e sua própria cosmovisão cristã, e poderíamos contesta-lo com facilidade se ele afirmasse estar sendo imparcial ao avaliar os argumentos favoráveis e contrários à existência de Deus.

Outro exemplo, também de dentro do cristianismo, mas fazer o que, são aqueles a que somos expostos com mais frequencia. De acordo com 1 Coríntios 15:14, “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.” A partir deste versículo, apologistas, quando questionados sobre o que os faria abandonar sua fé, respondem que se os ossos de Cristo fossem encontrados e autenticados, eles deixariam de ser cristãos, o que é um critério absurdamente rigoroso que eles naturalmente não empregam para descartar as histórias sobre a ressurreição de Hórus, Osíris, Dionísio, Krishna ou Elvis Presley. De forma que, mais uma vez, dispomos de dados objetivos para desmentir facilmente qualquer cristão que afirme ter submetido sua própria mitologia ao mesmo padrão de avaliação que submete as mitologias alheias.

Por fim, Luciano também aparece com o seguinte desafio:

Aliás, tem uma outra refutação ao Loftus, em relação ao ceticismo entre religiões diferentes. Loftus acha que ou se aceita a idéia completa ou não se aceita nada. Um exemplo seria a refutação a uma vertente do darwinismo. Ex. o darwinismo com gene egoísta, o darwinismo com memética, o darwinismo multi-nível, etc.
O problema é que mesmo que os adeptos de cada uma questionem as outras vertentes, pode haver CONSENSO em relação a alguns cânones. Por isso, mesmo que um cristão questione um judeu quanto a este não achar Jesus um messias, ambos compartilham da crença em Deus. Mais um problema para Dalila resolver se quiser salvar Loftus.

Primeiro, a analogia com diferentes aplicações de uma teoria científica não funciona porque estas não são contempladas pelas teses da diversidade religiosa e da dependência religiosa. E mesmo se fossem, elas passariam pelo OTF. Segundo, mesmo aquele núcleo comum a sistemas de crença em tudo o mais contrários pode ser posteriormente submetido ao, e reprovado pelo OTF. Se um cristão e um judeu chegarem um judeocristianismo genérico, este híbrido mutilado pode ser confrontado com o islamismo. O teísmo genérico que surgir deste segundo embate pode ser avaliado de um ponto de vista budista, digamos. E assim por diante. De forma que não vejo como a existência de pontos de concordância entre diferentes credos possa enfraquecer minimamente o OTF.

Do que foi exposto acima, espero não ter deixado dúvidas acerca da inocuidade das críticas do Luciano Ayan ao OTF. Espero também que tanto ele como seus leitores compreendam porque eu recusei, e recusarei daqui por diante, caso ele não eleve consideravelmente o nível de sua argumentação, qualquer desafio para me envolver em longos e estéreis debates de retribuição. Tais confrontos até podem incrementar ligeiramente o volume de acesso do blog (coisa que não ocorreu anteontem porque o safado já percebeu que minhas provocações visam sobretudo beneficiar-me de sua injustificada popularidade, e não colocou nenhum link para o RM no post que discuti acima), mas intelectualmente meus dividendos (e os de meus leitores) são praticamente nulos. No fundo isso é algo que mais arrisca do que eleva minha reputação; é como aqueles jogos entre a seleção brasileira e a seleção do Tuvalu: vencer não é mais do que obrigação (na verdade chega a ser uma covardia), perder, um trauma que pode custar anos de psicanálise.

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Um adendo que foge completamente ao tópico do post refere-se à minha convicção de que as personas Luciano Ayan, Snowball e Investigador de Ateus são controlados pela mesma pessoa. O Investigador de Ateus é o caso mais simples; primeiro, o Bruno Almeida aventou esta hipótese com base no seguinte, que retiro de um e-mail que recebi dele:

1. Eu estava postando no blog dele com o nick udi-mg e ele não sabia q era eu.

2. Eu mandei um link para a watchGOD em um dos comentários, o que dava na cara que era eu.

3. Esse comentário não foi aprovado.
4. Instantes depois, chega o Investigador de Ateus dizendo que udi-mg = bruno almeida.
5. Como ele poderia saber disso, se o comentário em que eu “confessava” isso não foi publicado?
6. Eu perguntei isso e ele disse que era óbvio.
7. Eu respondi que não faz sentido ter certeza absoluta de que udi-mg era eu, desconfiar tudo bem, mas ter certeza?
8. O Luciano interveio dizendo que eu tinha postado um trecho de tal debate na wG e que alguém tinha contado para ele.
9. Pra começo de conversa, isso é mentira. Cito ele em quase todos meus tópicos, não é novidade nenhuma. Porque alguém contaria isso para ele? Outra: essa comunidade vive às moscas e ele alegou que tinha um X9 la justamente nos 15 minutos depois de publicado. Meio difícil de acreditar.
10. Por fim, essa informação é irrelevante: ele ficou sabendo que era eu por causa do link que dei. Ele não precisa explicar (muito menos inventar) como ficou sabendo. Quem precisa explicar isso é o Investigador de Ateus. Será que ele recebeu um email avisando que era eu também?
A primeira formulação deste argumento pelo Bruno num tópico da WatchGod estava bastante confusa, e eu a princípio não dei muita bola para a acusação. Mas a confirmação veio quando o “Investigador de Ateus” foi fofocar lá na caixa de comentários do post “Humanistas tentando se livrar da culpa pelo Holocausto…”. Eu estava passando por lá, vi o comentário do Investigador e passei o cursor do mouse sobre seu nick. Sabem o que eu vi? Um link para o gravatar do Ayan:  Não sei porque o printscreen não capturou o cursor do mouse, mas ele estava sobre o nick do Investigador, fazendo com que na barra inferior esquerda da página aparecesse o endereço que vocês podem ver. Eu comecei a rir daquilo e deixei esse comentário, cujo primeiro parágrafo foi deletado e que recomendava a ele que corrigisse aquele ato falho ou eu também ficaria convencido de que o Investigador era outro de seus fakes. Obviamente ele fez a correção e armou a cena de forma a parecer que eu estaria plantando provas.
Já o caso para a identidade entre Luciano Ayan e Snowball é um pouco mais complexo e não de todo conclusivo, mas bastante plausível:
1. Ambos criaram blogs com os mesmos objetivos, cujos títulos parodiam os best-sellers neoateus, e empregando a mesma abordagem e os mesmos recursos pedagógicos (postura agnóstica, tentativas de refutação de frases de efeito, diálogo fictício ilustrando a “refutação”);
2. Quando começaram, ambos utilizavam o mesmo referencial teórico: Olavo de Carvalho, a compilação de estratagemas erísticos do Schopenhauer comentada pelo Olavo, John Gray, Tomás de Aquino, William Lane Craig, acho que um pouco de C.S. Lewis e G.K. Chesterton também.

3. Os domínios .com.br de ambos os blogs foram registrados sob um mesmo cpf;

4. Na época em que esse post aqui foi publicado, o Luciano encontrava-se inativo. Ao lê-lo, fiquei com uma baita impressão de que ele havia feito uma perticipação especial anônima no QuebrandoOEncanto. Leiam e vejam se o tom não é exatamente o mesmo do Luciano;

5. Os dois blogs foram reativados simultaneamente no final do ano passado;

6. Já fui contatado por duas pessoas diferentes que afirmaram fazer parte de grupos distintos que procederam investigações independentes sobre a pessoa que controla os dois perfis. Segundo o que dizem, os resultados destas investigações consistem basicamente de confissões via conversas pelo msn. A pessoa com quem estes grupos mantiveram contato não somente confessou ser tanto o Luciano como o Snowball, como além disso entregou diversos detalhes pessoais bastante comprometedores. A esta altura, ficou difícil saber quem estava sendo feito de bobo, se o investigado ou os investigadores (ou talvez eu próprio), tamanha a bizarrice de algumas confissões. Quando eu pedi provas mais concretas e substanciais das acusações, estas pessoas interromperam o contato.

7. Por fim, nos dois testemunhos sobre sua recente desconversão postados em seu blog, o Ayan afirmou ter tido uma fase ateu from hell na adolescência após ler Nietzsche. Vejam esta resposta que o Snowball deixou em seu formspring há bastante tempo:

 Não sei se isso realmente importa para alguém, ou mesmo se alguém pelo menos alimentará suspeitas sobre a identidade entre os dois blogueiros depois de ser exposto às minhas razões para acreditar nisso. Alguns decerto acharão essas evidências insuficientes para justificar minha convicção. A estes eu digo que, se não chegam a ser evidências, podem ser consideradas circunstâncias justificadoras para uma crença “apropriadamente básica” na identidade entre Luciano Ayan e Snowball. E os que disso duvidam ficam então convidados a apresentar provas de que ambos NÃO são a mesma pessoa. Prometo avalia-las com o mesmo grau de rigor que empreguei para construir meu caso em favor da identidade entre os dois!

E chega dessa conversa de comadres. Amanhã, o primeiro capítulo da série sobre a evolução do cristianismo.

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